Domingo, Novembro 22, 2009

M. Ward - Hold Time

Hold Time
Merge
folk
2009



Depois de uma muito bem sucedida aventura com a actriz/cantora Zooey Deschanel na dupla She & Him, M. Ward regressa aos discos de originais com um desafio principal: de provar a consistência de um disco como Post-War e de pelo menos estar à altura das expectativas. Mais vale dizê-lo já: o objectivo foi alcançado, porque Hold Time é muito provavelmente o melhor disco que este norte-americano lançou até aos dias de hoje. De forma despretensiosa e simples (parece quase fácil nas suas mãos), M. Ward conseguiu um conjunto de canções onde tudo faz para que se possa reflectir a lustrosa paisagem musical americana.

As canções estão diferentes, no entanto. Há mais luz neste disco, há mais esperança nas entrelinhas ainda que M. Ward se possa estar a debater com temas perecíveis e circunspectos. O melhor exemplo disso, para além da inicial “For Begginers”, só pode ser “Rave On”, com a participação da encantadora Zooey Deschanel: uma canção intemporal, de sol a bater na cara, com a dose certa de saudosismo para não fazer transbordar o copo. Estão aqui todas as boas razões para perseguir o trabalho de M. Ward nos próximos tempos: os arranjos, o texto, a profundidade, a largura musical, a América em suspenso.

Hold Time segue uma toada serena e paisagista mas admite interferências declaradamente rock: “Never Had Nobody Like You”, também com Zooey Deschanel, resvala para guitarras proeminentes e pianos cabaréticos, algum feedback e muita atitude. Mas o disco pertence à sua qualidade acústica, à delicadeza das guitarras não eléctricas e à candura ou pelo menos a algo intermédio: “Jailbird” é enternecedora na sua fragilidade, “Fisher Of Men” perde-se de amores entre violinos e sofre um contágio melodioso admirável. Mas mais do que valer por uma ou duas canções separadamente, Hold Time vale pelo seu conjunto, pela sua coesão. É, sem sombra para dúvidas, um dos melhores discos de canções que 2009 verá até ao final dos seus dias. Por André Gomes

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Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Dirty Projectors - Bitte Orca

Bitte Orca
experimental rock
domino
2009



Pra quem curtiu o disco que o Animal Collective lançou no início do ano, Bitte Orca é de execução obrigatória. Em seu novo álbum, o Dirty Projectors reavalia o conceito de experimentalismo e transforma o indie rock que fazia em um som mais eletrônico, mas sem perder suas raízes. O clímax das gravações se dá com as novas vozes que apareceram na banda de Dave Longstreth, as de Amber Coffman e Angel Deradoorian, nomes por trás dos duetos femininos mais impecáveis que você ouvirá em 2009. Por Alex Correa.

1 Cannibal Resource 2 Temecula Sunrise 3 The Bride 4 Stillness Is The Move 5 Two Doves 6 Useful Chamber 7 No Intention 8 Remade Horizon 9 Fluorescent Half-Dome

link via rapidshare

Sábado, Novembro 14, 2009

empire of the sun - walking on a dream

Walking on a Dream
eletropop
Astralwerks
2009



duo australiano que fez eletropop com sobras este ano. em tempos de hi-tech na música contemporãnea, o que torna a disputa acirrada entre este tipo de som, a estreia do empire of the sun com walking on a dream(mixado em 2008 e lançado este ano) veio após algum mistério sobre o nome da dupla luke steele e nick littlemore, talvez deva-se creditar ao market ou vaidade do duo. descobri a banda naquele marasmo de ficar trocando de canal sem fixar em nada, até encontrar o clipe de "standing on the shore" e seus bons riffs de guitarra e batidas eletronicas. a faixa título "walking on a dream" traz uma boa combinação da voz de stelle e littlemore com um baixo bem acentuado, algo tipo daft punk. o som de violão que abre "we are the people" e a bucólica instrumetal "country" afirma que nem só de sintetizadores sobrevive a banda. ao julgar pela capa, até parece jogo de video game ou filme fantasia "sessão da tarde", mas a mistureba pop futurista do empire of the sun pega pelo coreto e mesmo que não agrade 100%, consegue desviar do celebre "deseja excluir este arquivo?" e se segurar firme no HD.

(((((link novo)))))

1. Standing On The Shore 2. Walking On A Dream 3. Half Mast 4. We Are The People 5. Delta Bay 6. Country 7. The World 8. Swordfish Hotkiss Nite 9. Tiger By My Side 10. Without You

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Trend's new songs on myspace!

Estou aqui para postar algo sobre aquelas bandas que o Young costuma classificar como..."nem parece banda brasileira"!

Made in Rio Grande, a Trend foi formada em 2008 pelos irmãos Rafael e Felipe Rechia plus Thiago Iankoski e Eduardo Custódio, cujo propósito era compor um som legal, que saíam de seus improvisos durante os ensaios, tais improvisos renderam diversas músicas (diversas mesmo, acreditem!) porém esse ano, a banda resolveu escolher algumas para aperfeiçoar e lançar seus EP's.

No início de 2009 foi lançado o primeiro EP contendo 3 faixas: Tribal, Frost e Jesus of Mercedes e agora os meninos estão de volta disponibilizando mais três faixas que fazem parte do segundo EP. Porém, as músicas serão lançadas uma a uma... o que é isso, jogada de marketing? Doesn't matter!

Acesse o Myspace da Trend ouça a novíssima Offman e aguarde as próximas novidades, coming soon! Just press play and enjoy it!

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Gru - Kitchen door (2009)

Pop a foo, tchê! Mas pop bom, tipo Buffalo Tom e pato Fu, nada de pop tosco/descartável.

A Gabi Lima é uma guria de Pelotas que anda de skate, tira umas fotos tri e faz música. Muita música.
Já faz um tempo que conheci o trabalho dela, através de uma cover de Jesus, etc, do Wilco (viram como a guria tem bom gosto?), e depois passei a sempre acompanhar o que ela lançava (como Gabi, na banda Sunny Grey, com o Solano e a Emília, e agora como Gru). E sempre foi material de bom gosto.

Uma vez até tocamos junto, em Pelotas (acho que foi em 2007). Rolou uns Wilco male-male, porque eu nem lembrava mais como se tocava baixo.

Enfim, baixem, pq eu garanto que vale o download.



Lançado em outubro de 2009 pela arroz doce records (é de Pelotas, terra do doce!)

download disco + capa .zip

ou
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01 Saturday morning hope
02 The same as being
03 Pick up the pieces
04 California (I'm outta here, bitch)
05 Losing you
06 All this time
07 Drugs
08 Maybe today















E ela gosta de Hanson (eu não podia não falar isso).

Sábado, Novembro 07, 2009

Ben Kweller - Changing Horses

Changig Horses
country
Atos
2009



Novo Changing Horses, de Ben Kweller, é de uma beleza folk rustica fascinante. O cd começa com "Gypsy Rose" e seus poéticos versos. De um folk intimista, muito mais focado ao country, a faixa é apaixonante. Seu vocal mais soado e o violão com dedilhado e slides nos fazem lembrar de Neal Young e com isso convida o seu autor e a todos a ouvirem o restante do cd bastante impolgado. Em "Hurtin’ You" Ben peca pelo excesso de slides, o que de fato se repete por todo o álbum deixando a obra um tanto repetitiva. "Ballad of Wendy Baker" e "Homeward Bound", mostra que até de falsetes, Ben se monta para fazer você se emocionar com belíssimas letras e muitas doses de solidão. A produção, vale frisar, é impecável, até a ordem das faixas foi miraculosmente pensada. A trinca animada de "Wantin’ Her Again", "Things I Like To Do" e "On Her Own" faz esse autor, já meio baleado da viagem sonora, se sentir nas estradas da vida, naquele carro conversível que viu no filme dos anos 80 com uma bela moça ao lado e o mundo correndo em minhas mãos no volante da Infinite Highway. Por Marcos Xi

1. Gypsy Rose 2. Old Hat 3. Fight 4. Hurtin' You 5. Ballad of Wendy Baker 6. Sawdust Man 7. Wantin' Her Again 8. Things i Like To Do 9. On Her Own 10. Homeward Bound

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Sexta-feira, Novembro 06, 2009

500 days of summer




500 days of summer é um filme que me pegou pelo trailer, mas não é assim que quero começar esse texto. Quero começar falando que existe uma linhagem de filmes que eu vejo como novos clássicos. Filmes que dão muito significado às cousas que acontecem agora, e que talvez pra pessoas modernas (ou pré-modernas, pq elas existem!) são produto de cinema menor. Bobagem! São filmes que fazem o que arte precisa fazer: sugerir a vida (interprete como quiser) e entreter, mas com questões profundas junto, fora os ótimos intertextos.

E de Chasing Amy pra cá muitos filmes legais aconteceram - e nesses últimos tempos tive a oportunidade de assistir alguns deles no cinema: Little Miss Sunshine, Juno e Dan in Real Life (subestimadíssimo), por exemplo. Ainda tem The Wrestler e Clerks 2, que considero da mesma linhagem, mas da categoria losers (talvez por isso não passaram no cinema de minha pequena cidade).




(500) days of summer já conquista no trailer, que começa citando The Smiths, conta com a Zooey Deschanel (a linda vocalista do She & Him), e se auto definindo como "Essa não é uma história de amor". Ou seja: só pode ser genial. E é.
Até o Joseph Gordon-Levitt não compromete e consegue a simpatia (ou compaixão) da audiência, com um personagem que escuta The Smiths, Jesus and Mary Chain e aparece com duas camisetas diferentes do Joy Division e uma do Clash. O cara é dos meu.

Fala-se tanto na redenção dos nerds. Nick Hornby e Kevin Smith fizeram um bom trabalho. E os ecos do que eles fizeram são sentidos nesse filme. Quando o carinha pede demissão, em uma cena bem "take your carriage clock and shove it, do Belle and Sebasian, o discurso é cheio de polifonia, trazendo muito do Rob Fleming e aquela ladainha toda de “Eu ouvia música pop porque era infeliz, ou era infeliz porque ouvia música pop?”. A cena pós sexo, com homenagem pra Star Wars e Curtindo a vida adoidado também tem bastante do Clerks 2, com todo mundo dançando abc na rua.

Existem ainda várias homenagens à história do cinema, com algumas cenas de clássicos e um pastiche (ou seria paródia?) bem humorada, apesar da tristeza do momento, de filmes franceses.
Tem muita coisa pra se falar desse filme, ainda, como a estrutura fragmentada do tempo, os personagens coadjuvantes muito bem construídos, etc, mas meu gato está na frente do monitor e vou parar por aqui.






A trilha sonora foi lançada em 14 de julho de 2009:



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01 "A Story of Boy Meets Girl" - Mychael Danna and Rob Simonsen
02 "Us" - Regina Spektor
03 "There Is A Light That Never Goes Out" - The Smiths
04 "Bad Kids" - Black Lips
05 "Please, Please, Please Let Me Get What I Want" - The Smiths
06 "There Goes The Fear" - Doves
07 "You Make My Dreams" - Hall & Oates
08 "Sweet Disposition" - The Temper Trap
09 "Quelqu’un M’a Dit" - Carla Bruni
10 "Mushaboom" - Feist
11 "Hero" - Regina Spektor
12 "Bookends" - Simon & Garfunkel
13 "Vagabond" - Wolfmother
14 "She’s Got You High" - Mumm-Ra
15 "Here Comes Your Man" - Meaghan Smith
16 "Please, Please, Please Let Me Get What I Want" - She & Him

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Daniel Lanois - Here Is What Is

Here Is What Is
alternative
Red Floor Records
2005



Responsável por obras de U2 e Bob Dylan, Daniel Lanois é a mente por traz de Here Is What Is, que consiste em disco e filme de mesmo nome, certamente, presta homenagem ao Eno, o produtor magistral que serviu como seu mentor e desempenha um papel importante no filme de Lanois. Mas, felizmente, é sobretudo uma celebração da obra Lanois e evolução artística.

De acordo com Lanois, "O filme é uma câmera que seguiu-me ao longo de um ano, dentro e fora dos estúdios de gravação, documentando uma vez por todas a forma como ela realmente acontece." A criação da arte, o que é. É um filme fascinante e, mais importante para os nossos propósitos, uma trilha sonora apaixonante.

Como quase todas as trilhas sonoras, o registro é selado com interlúdios que pode parecer chato e fora de lugar sem contexto visual. Mas quando você tira fora todos os extras instrumental, Here Is What Is surge como uma conquista brilhante independente do seu parceiro de filme.

Lanois é um pioneiro no uso inteligente de produtos eletrônicos e atmosferico no rock. Mas as melhores faixas do Here Is What Is superar todos os seus esforços anteriores. "Where Will I Be" é uma balada imbuídos de uma espiritualidade sutil e um refrão que é prender uma reminiscência de um canto melódico tribal. É seguido pela faixa-título, onde pedaços de guitarra levemente distorcida encaixam com vocais perfeitamente tranquilo de Lanois. A triste "Not Fighting Anymore" é a próxima, diminuindo um pouco o nível de intensidade, mas ainda, um soco forte no emocional.

Here Is What Is não é apenas um veículo para Lanois mostrar seu talento de produção. As músicas possuem uma surpreendente fragilidade e humanidade, e Lanois é um virtuoso, quando se trata de usar o estúdio como um instrumento.

Eno também é destaque em faixas com fascinantes (e estranhos) comentários filosófico sobre a natureza da arte e essas coisas. Mas finalmente, Lanois é a atração principal e com razão. De muitas maneiras, o aluno que transcendeu o professor, continuando a empurrar o aprendizado sonoro em busca de novas maneiras de expressar a alegria, tragédia e absurdo da condição humana.
review de matt geb que traduzi e adptei.

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